Mãos soltas

Publicado: 05/04/2012 por Luiz Vieira em Poesia

Ele não pode rescrever vidas
Abrir os olhos cegos do tempo
E simplesmente se colocar a fiar
Ocasiões que não aconteceram
Errante encara o destino
Agora, o melhor caminho
Não se deixa massacrar,
Se permite

Pensou que fosse bom por um momento
Te-la encontrado mais cedo
Em outras circunstancias, por outros caminhos
E numa viela qualquer este amor de agora
Surgisse naturalmente
E qualquer destino seria de mãos dadas

Mas por sob as arvores ele observa tudo
Puxa-a pela mão até que ela possa estar livre
E as mãos estejam soltas
E eles possam finalmente caminhar

Pois a vida, sim, esta desconhecida
Que se alegra em brincar com coisas sérias
(talvez nem tão serias assim)
Dá-lhes “nãos” todas as manhãs
Antes mesmo do primeiro bom dia
Até o dia em que cansada dar-lhes-a
Vários “sins” intermitentes
Ai serão…
Chuvas, beijos, dança
E corpos colados uns nos outros.

Hey!

Publicado: 29/03/2012 por JEFF em Poesia

Hey!
E aquela mania de ser pop em tudo?
E aquela coisa de entrar na escuridão sem temer a ausência de luz?
E aqueles dias de glória?
É; aqueles mesmos em que entrávamos nas batalhas
pelo simples prazer de permanecer em pé
enquanto todos caíam
E aquela cara debochada perante os perigos mortais
só porque sabíamos que éramos bons o suficiente?
E aquele tempo em que cada adrenalina era merecida?
Em que não temíamos nada
o simples era extraordinário
e viver não era estar sempre no mínimo ou máximo
Onde foi parar aquela confiança?
Porque aquilo tudo se evaporou?
Porque somos agora apenas uma pequena parte do que éramos?
Hey, porque tudo se tornou apenas sombra de um passado cada vez mais distante?
E pior, porque nos acomodamos e aceitamos tudo isso?

JEFERSON

Pouco

Publicado: 26/03/2012 por JEFF em Poesia

O exército se alinha
somos todos velhos demais pra tudo isso
mas a acuidade de nossos desejos desvelados pede mais
sempre mais
a terra contra a água, a água moldando a terra
a gente buscando novos instrumentos para tudo
o tempo não passa quando estamos aqui
nos recusamos a envelhecer mais por motivos óbvios
tudo cresce vertiginosamente
as linhas avançam
nada é realmente suficiente
e nunca estamos contentes com nada…

JEFERSON

Terras escuras

Publicado: 17/03/2012 por JEFF em Poesia

Mais um dia estendendo a linha do tempo
mais um dia rodando por entre as frestas
o devaneio escorregadio de seus desejos impossíveis
repetindo rimas, repetindo dilemas
rodando
em círculo
a noite toda

Novas rotas para as mesmas colisões
mesmas situações para destinos resolutos
mais um dia querendo acelerar
em direção ao fim da linha
o final conhecido
repetindo trilhas,
palavras chaves de lamentos concebidos
por entre sinuosas feições displicentes
enquanto tudo gira
em trajetória desinteressante
mais rápido do que podemos captar

Hey, não entre em contradição
só porque dei declarações insensatas
e quebrei as coisas na saída
eu não vou voltar atrás
eu estou indo
…estou indo
…mas…
está acabando…
o fôlego…
está…

JEFERSON

O reino esquecido

Publicado: 15/03/2012 por JEFF em Poesia

Havia muitas coisas nebulosas
tudo estava perfeito demais
por isso reneguei o reinado do reino imaginário
e quando todos estavam sãos, eu adoecia
assim mesmo, sem sentido,
sem um motivo aparente

Diziam-me que eu era o preferido
dentre todos os descendentes de um passado desconhecido
e agora me chamam
para lugares aonde antes eu não podia entrar
mas eles viviam na ignorância,
não sabiam… nunca souberam
que aquilo nem era mais necessário

Era sempre uma multidão de desinteressantes
então eu disse:
deixem-me por aqui, me deixem em um canto
deixem-me disparar contra o perfeito
ou entrar noite adentro sem saber o que fazer

Então, regidos pela linguagem, Eles se reuniram
sempre apegados aos signos e símbolos
responderam que não era permitido
que era tudo em nome dos rituais
que a Rainha era o centro de tudo,
de todas as normas
que como descendente deveria me comportar como tal

Disseram que eu sou um mantenedor dos preceitos
me escolheram um nome
e um código de honra a seguir
mas Eles não sabiam, nunca souberam
que há tempos, há tempos
aquilo não era mais necessário

Era um simples canivete
um minuto complicado
eu estava tão doente quanto disposto a me curar
por isso invadi o quarto principal
e fui até o intocável,
o falso devir insubstituível

Era um dia ensolarado,
era um dia como os outros,
tudo estava absurdamente claro, perfeito
as pessoas continuavam sua rotina, tranquilas,
tudo tranquilo do lado de fora

Eles vieram perplexos
não acreditando no que haviam acontecido
tudo vai desmoronar – disseram eles
então Eu disse: hey, não sejam guiados por ressentimento…
acaso não pode um homem tomar um simples banho
com o sangue das normas
e da Rainha de seus dias esquecidos?

JEFERSON

Devaneio

Publicado: 14/03/2012 por rodoxcaos em Poesia

Sim, eu vejo o tempo
Passar feito uma flecha
Atravessando mundos
E palavras
Ainda pergunto-me
Onde estão todos vocês?
E então digo olá para o céu
Visito o limbo
Jogo com a morte
Esperança vaga
De algo que não sei
Nem mesmo o que é
E todas as possibilidades
A cada degrau
A cada escada
Vidas desperdiçadas
Infinitos visitados
Onde estão aqueles velhos sábados?

Rodolfo Morais

Mais uma noite na principal avenida da cidade

Publicado: 13/03/2012 por JEFF em Poesia

O relógio bate as seis, cravado
eu simplesmente não posso ficar
pelas ruas, pessoas se incinerando por quase nada
passivas perante quase tudo
o anoitecer, a sombra cinzenta
o reduto dos medíocres, a fuga dos covardes
pessoas se aglutinando em volta de fortalezas inúteis,
pretextos facilmente degradáveis
bebidas de péssima qualidade
e argumentos fúteis
enquanto todos são tão iguais, tão desinteressantes
tentando desesperadamente
se mostrarem diferentes em tudo
e nós sabemos, este nunca foi, nunca será nosso lugar
nem nunca estaremos satisfeitos com isso
já que o relógio ultrapassa as seis,
e você sabe, vivemos em um tempo de urgência
eu simplesmente não sei se quero ir, mas não posso ficar
pelas ruas, pessoas se convencendo facilmente,
se embriagando de qualquer coisa
produzidas em seu máximo
tentando se venderem mais caro
esperando respostas diferentes para as mesmas perguntas
e mais uma cura ilusória para falta de profundidade em tudo…

JEFERSON