Clarividência

Publicado: 23/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Tudo confuso…
as sombras se misturando
os vultos rondando pelo quarto
as respostas cobrando perguntas
os pesos, as medidas, os fatos deliberados
o caminho resoluto
a velocidade indeterminada
a escuridão delimitando a luz
o capuz encobrindo o rosto
o passado emoldurando o presente
o sorriso aguardado, o andamento correto
o som do vento repercutindo por entre as frestas
e a busca da plenitude na crença
tudo ecoa incerteza
apesar das estimativas em contrário
amanhece mais uma vez
e na hora mais clara
vamos em direção ao penhasco
…e pulamos…
sem a mínima garantia de que iremos voar…

JEFERSON

Sobre as lembranças de um passado inexistente

Publicado: 21/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

As poesias, inevitavelmente, ficam pra trás
nos atiramos contra a parede por nada
não me lembro de termos dado vazão a nada
que não seja abstrações singelas
de um fluxo contínuo
de uma realidade violenta
e uma glória lapidada
pela paciência do tempo
que, inerentemente,
conserta tudo…

JEFERSON

Spoiler

Publicado: 18/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Pode parecer um delírio, uma sensação incontida
ou uma ilusão insensata,
mas de todos os universos que eu não conheço
o seu
é o que mais eu sinto falta…

JEFERSON

Ruínas

Publicado: 15/02/2012 por rodoxcaos em Poesia

Todos nós estamos destruídos, porém ainda estamos sorrindo.

Todas as armas foram usadas em batalhas fúteis

As lembranças de uma guerra estúpida ainda permeiam as mentes

O sopro dos canhões ainda nos assombra

E a guerra foi ontem, porém ainda está viva

Crianças mortas por crianças, devastação por todos os lados

Um pai chora. Um filho executado, uma vida desperdiçada

Rodolfo Morais

O sentido ausente

Publicado: 15/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Todas as fichas apostadas
lá estão eles noite adentro procurando o que perder
dezenas de possibilidades se oferecem facilmente
uma noite pra cada avenida
uma avenida pra cada rodada desajeitada
um desajeito para cada opção indesejada
enquanto se desafiam, vão além do limite,
caçando taxas cada vez mais altas até não poderem pagar
rodando sem destino
até tudo começar a desmoronar
e se encontrarem perdidos
em algum canto esquecido desta cidade ingrata
minutos depois da sensação de vazio
e horas antes de se preparem para tudo novamente…

JEFERSON

Todos os momentos são eternos

Publicado: 12/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Desfocando e focando
alternando entre medidas impossíveis
o retorno imediato das imagens insensatas
as elegias impossíveis de um reino distante
o quase plausível, o quase alcançável
estraçalhado pelos acordes de outrora
no banco de trás de um destino em movimento
rumo à um futuro desconhecido
uma numeração que define a captura de cor
e tudo pelo instante inusitado
da regulagem precisa
sobre a brevidade de um momento único
captado em vinte e pouco momentos inesquecíveis por segundo…

JEFERSON

Todo laspso

Publicado: 10/02/2012 por rodoxcaos em Poesia

Um milhão de pequenos contos impossíveis
O lorde de toda existência observa o (re)arranjo
O pedido de ajuda não foi ouvido
As alegrias foram distribuídas
Todo laspso
Coisas estranhas acompanham o infinito
Todas impossibilitadas de certa forma possíveis

Rodolfo Morais

Fins concretos para seres imaginários

Publicado: 09/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
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Ela sentada à beira do elevado da varanda
serena, olhando o mundo desabar
Eu, finalmente, entendendo o que é a duração
tudo girando, desintegrando ao nosso redor
a gente ciente que tudo vai acabar
os drinks, o apreço pelas bebidas,
a habilidade inquestionável em apontar o inevitável
as músicas, a guitarra velha,
as dezesseis moedas arremessadas
a moderação frente ao desespero inexistente
as imagens se processando aleatoriamente
remontando as lembranças de um modo indescritível

…dentre todas as coisas que mais provocam lacunas
ela sente falta do filho que nunca teve
e eu dela, que nunca existiu…

JEFERSON

Tenho recebido noticias de vossa tristeza
Eu me compadeço de vos
eu compreendo vosso sofrimento
Venho consolar-vos por meio da palavra
Irmãos e irmãs, meus companheiros
Tendes carregado um duro fardo
A vida não vos poupou
Tendes calma
A liberdade é vossa companheira nesta batalha
Fornicai irmãos, esta é vossa melhor verdade
A toda hora implorai pelo gozo sexual
Não se importe pois com as almas pobres
Nem com os adoradores de regras
Pela manhã até o sol se pôr
Fornicai o máximo que puderes
E se possível continuai pela noite adentro
Fornicai pois a vida é breve e eu não posso lhes garantir nada
Nem agora muito menos após a morte
Portanto usai vosso corpo para o prazer o quanto puderes
Esqueça os tratados infames, e os religiosos dispersos
São ovelhas desgarradas, são negadores da verdade
O destino deles já esta traçado, é como o vosso
Após os dias de vida,
mas vós irmãos, confiai nesta palavra
A fornicação é o bem mais precioso de vossas vidas
Será no fim a certeza da vitoria da humanidade sobre os santos
A vitória do bem contra o mal, a batalha vencida
Reuni em vossas casas, nas praças, nas escolas,
Nas repartições públicas e cumpri pois a minha palavra
Fornicais até que o vosso corpo desista, até que o vosso espirito
Se extasie de amor e de calma,
Pois houveram dias em que nos proibiram de ser humanos
Que prenderam nosso desejo num deserto de clamores
Que nos condenaram diariamente, que nos tiraram tudo
Mas hoje irmãos estamos libertos, nosso próprio corpo nos salvou
Devemos tudo a ele, ao seu desejo insaciável, ao seu desvio diário
Não intristeça o vosso coração quanto baterem a sua porta
Quando desviarem seu corpo para pensamentos vãos
Lembrai de minhas palavras e meus direcionamentos
Pois eu lhes conheço, sei de vossas necessidades
E repito, fornicai irmãos, fornicai,
Pois a vida é breve e o destino incerto
Luiz Vieira

(In)verso

Publicado: 01/02/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Pessoas como mercadorias,
mercadorias como pessoas…
há, no mínimo, pra não dizer outra coisa,
um olhar educado em demasia…

JEFERSON

Proibida

Publicado: 31/01/2012 por Luiz Vieira em Poesia
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Qualquer um afirmaria minha loucura
Do quanto tudo isso é proibido
Mas aquele corpo dorme todos os dias entre minhas pálpebras
Toma toda minha cama em gemidos doces
atravessa todas as paredes,
Faz florescer em meu quarto
Inebriante cheiro, gozo, paz

Qual o limite de um corpo trasbordante de desejo?
As regras, os tratados, as distâncias?
Certamente não, a natureza e seu exercito
Nós dois subserviência as altas temperaturas,
Que borbulham sob nossa pele
E é tudo, novamente, caminho inexplorado

A mão que afaga os ombros,
A face que roça os cabelos,
As pernas que se juntam.
O gosto da pele impregnado
A boca-apetite, o beijo
A falta de roupa…

… unhas, cabelos, hematomas
Tudo que era somente seu, agora meu domínio
Eu escravo, queimando
O deus de seus gemidos.
Protetor de seu corpo extasiado
Molhado, doce
Esparramado pela cama,
O cheiro de mulher viva
E a luz branda que ilumina
Todos os contornos de sua humanidade

Luiz Vieira

Oposto

Publicado: 31/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Todos sempre dizem: parabéns!
Resista! Isso mesmo! Continue…
Mas não são vocês quem se ferem e sangram
quando achamos que chegamos à vitória,
tudo parece conspirar à favor
e o destino insiste em nos dizer o contrário

JEFERSON

Alternância

Publicado: 27/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Provavelmente voltaremos a este assunto
tudo é bem mais complexo do que aparentemente se apresenta
parece alternância,
mas não somos só isso…

Todos acham que nos conhecem, mas isto também não é verdade…

JEFERSON

Alegrias secretas

Publicado: 26/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
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Nem tão preso aos desígnios da Terra
nem tão distante à ponto de não haver colisão
assim, de graus em graus
vamos vertendo todos os delírios diários
desvencilhados da manifestação contínua
de todos as esferas e imagens projetadas
de todos os absurdos ou superficialidades reveladas
degrau a degrau vamos subindo em direção ao inevitável
o lugar pouco arejado onde são edificados nossos algozes irreais
nosso mundo não domesticado
nosso painel de letras irreconhecíveis
nossa estrada de fundo praticável
onde podemos olhar a paisagem que só nós conhecemos
contemplarmos os destinos falidos dos vorazes
arquitetarmos nossas glórias, nossas vitórias clandestinas
nossos olhos feridos pela claridade que não conhecemos
desintegrando o mundo particular que habitamos
nos calabouços quase irreconhecíveis
abaixo de nossos sapatos gastos
e acima de tudo existente
entre um olhar, um silêncio imperceptível
uma fresta ou outra que insiste em perdurar
e os abalos sísmicos de cada ferida não cicatrizada
dispostas em lacunas que, em tese, nunca existiram
sobrepujadas por gestos que nunca ocorreram
e o errante destino particular dos covardes
acalentados por um quase sorriso
de uma quase vida de merecimento
e um prazer estranho atrelado à solidão e ao sofrimento

JEFERSON

Destroços

Publicado: 25/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Todos nós sabemos
tudo vai ruir,
vai sair do controle
e desmoronar em um simples amanhecer
então seremos arremessados pra cima
e talvez até tenhamos
uma sensação maravilhosa de suspensão
segundos antes de sermos soterrados pelos escombros…

JEFERSON

Como uma pedra rolando noite adentro

Publicado: 23/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
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Me jogando contra as paredes
perdido
em um dos milhares de labirintos tortuosos
de meu quarto cada vez mais apertado
pelas lacônicas sombras e sobras
das lacunas da noite

Destinos incompletos
abstrações inúteis de inúteis displicências
e inúteis resultados e complicações
as ocasiões cobrando mais caro
todas as taxas que sempre nos recusamos a pagar

Uma estrada conhecida,
sempre de trajetória imprecisa
a gente com todo o fôlego que não temos
rememorando o que nunca aconteceu
nos afundando mais e mais
na certeza de que de tudo que planejamos
nada segue as regras
enquanto a noite vira ao avesso
só para nos mostrar
que estamos cada vez mais longe do que éramos
e é tarde demais pra voltar…

JEFERSON

Um tenro olhar de mistério
Uma noite as vezes clara com um dia de sol
Outras penumbra onde não se vê o próximo passo

Dela se espera tudo, mas sempre há alguma surpresa
Teus olhos um paraíso desconhecido
Uma dia imprevisto do futuro

Quem poderá atingi-lá
Tal qual um profeta se aproxima de seu deus?
Difícil saber ela nunca dirá,
absorta nos próprios pensamentos
Seu destino é um tesouro escondido

Enquanto a própria estrada já está construída
Seus pensamentos dançam,
E o ritmo meus caros, é celestial

Quem pode realmente encontra-lá?

Provavelmente um poeta louco
Ou um destino vazio,
Talvez um desconhecido de uma esquina qualquer

Impossível saber…

Ao indecifrável um pouco de mim
Para uma dança em seus pensamentos
Limparei com versos vermelhos essa penumbra
E haverá muito brilho nestes olhos.

Luiz Vieira

Game over

Publicado: 16/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Te esperando em frente sua casa
te cercando com seu mundo impossível
nenhum movimento de correspondência,
mas continua lá
parado observando
esperando o movimento mudar

Então você não segue meus conselhos,
a coisa muda
ele cria tudo
te conta as suas mentiras mais sinceras
vai de resplandecência à escuridão em duas frases
e te cerca com seus argumentos cheios de defesa
explora sua futilidade e falta de preparo pra tudo
e te escolhe para o jogo macabro

Aguente firme
não perca o controle
ele parece lhe dizer,
enquanto te vence e te imobiliza
e te leva noite adentro
rumo ao fim de tudo

JEFERSON

Incurável

Publicado: 15/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Era um dia chuvoso
lágrimas pedras escorriam pelo corrimão tortuoso
das escadas igualmente tortuosas da amargura
eu andava, como quase sempre,
sem um propósito aparente
enquanto a noite findava
e eu me preparava
pra descer, degrau à degrau,
rumo ao porão alagado
me lembrando de todas as coisas
dentro de todos os motivos que me rasga a pele
e todas as cicatrizes que não consigo esconder

JEFERSON

Labirinto adentro

Publicado: 11/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
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A máxima sempre aponta para o continuar,
mas não há opções plausíveis
nem caminhos diferentes
àqueles aos quais não ousam arriscar
e tudo parece, sempre, infinitamente
mais simples e menos urgente
quando visto do lado de fora
e não é nosso o sangue
que é derramado a cada dia de permanência
dentro do turbilhão de motivações insensatas
e um emaranhado de objetivos desconexos
nos cobrando decisões a cada escurecer…

JEFERSON

Propósito

Publicado: 09/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
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Silentes andam os errantes
dia após dia
sedentos de uma diretriz eficiente

Para cada coisa um propósito nefasto
para a faculdade de esquecer, o esquecimento
para a faculdade de lembrar, o sofrimento
os segundos nos perfurando por horas
horas entre dias,
dias entre mãos, mãos por trocados,
e trocados por ilusão

Incontáveis e diferentes destinos
esperando por soluções semelhantes
indo noite adentro
por dias à fio
à procura de respostas
para perguntas que ainda nem foram feitas

JEFERSON

Dor

Publicado: 08/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia
Tags:, , , ,

Meu império de palavras insuficientes
minha cara desbotada de sempre
esperando o ônibus à luz do dia
tudo claro ao redor
a fenda de uma ferida que não cicatriza
os olhos fechados, as lembranças de sempre
glórias incompletas
sentimentos vazios, pensamentos vorazes
pessoas felizes
ou, aparentemente, próximas disso
o que é suficiente para saber que não somos iguais
não é em vocês que reside a escuridão
carrego o mundo comigo
por motivos diferentes todos uma hora vão embora
eu permaneço…
acordado…
lembrando-me de tudo…

JEFERSON

O encontro

Publicado: 07/01/2012 por Luiz Vieira em Poesia
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O gosto das estrelas queimando os olhos
O poder de conseguir o novo outra vez
As possibilidades dos caminhos diversos
As flores que chovem todas as manhãs

Liberdade é Ir por um bom caminho
É reconhecer o passos do pródigo
Multidão de pássaros voltando
A pele queima, já estamos prontos
A diversidade das experiências
São agora a tábua fina por onde caminhamos
Desequilíbrio é a ordem dos deuses
É o bom sentido que eles deram a vida

Erremos o quanto pudermos até a melhor escolha
Até um dia simples se tornar o mais perfeito
Até a noite e o frio não fazerem sentido algum
Juntem-se perfeitamente as mãos
É o contato inteligível entre dedos que queimam
Este é o abraço do invisível.

Luiz Vieira

Mais uma órbita no escuro

Publicado: 07/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

As horas torturando os destinos escolhidos
nossa eterna revolta de causas vazias
motivos reais para seres imaginários
um sei lá o quê de eminente volta
teus desejos trancados lhe cobrando as chaves
um quarto apertado de ilusão e desespero
nas madrugadas de apego solitário
palavras como imagens, imagens como respostas
o mundo alheio à nossa vontade
rituais decadentes de apodrecimento coletivo
uma janela coberta por paisagens distorcidas
pedindo um tratamento diferenciado
enquanto todos os seus satélites desconexos
entram em trajetória de colisão
e meu quarto apertado se torna ainda mais escuro

JEFERSON

Leve digressão

Publicado: 06/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Vasculhando, revirando tudo
pequenas subidas, grandes quedas
trocadilhos adolescentes
a gente fingindo estar satisfeito com tudo
de um lado para o outro
batendo nas paredes
indo em direção ao centro de um infinito projetado
sem pagar pedágios
sem nos importar com os restos deixados
girando as coisas
mais rápido do que conseguimos suportar
só pra perdermos o controle
só pra distorcermos o sentido
a cidade superfície e suas taxas exorbitantes
e o ardor constante de uma nova ilusão surgindo no horizonte
tão imperfeito e sem graça
o quanto a essa história de perfeição pode ser…

JEFERSON

Entre paredes

Publicado: 05/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Em vão, por várias vezes,
entoamos nossos cantos de batalha
nunca tivemos inimigos reais
ou tão poderosos quanto os que inventamos
brindamos por nada
somos o retrato desfocado de sorriso incólume
nossos destinos emparedados
nossos cálices cheios de sangue dos inocentes de sempre
uma ou outra forma igualmente inocente de ver as coisas
um ou outro pensamento fortuito
uma porção de ruídos quase sem significado
uma combinação, um arriscar no aleatório
os acordes certos, os acasos tortos
uma ligação que valha a pena
um esperar sem fim nem começo
e tudo girando além da nossa vontade
perdido entre o tempo e o espaço
e as milhares de coisas que podem acompanhar
o florir despretensioso de um gesto

…viver é não ter medo de errar…

JEFERSON

O devir silencioso

Publicado: 03/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Era pra ser uma história simples
até tudo, como sempre, sair do controle
a cidade nos cercando de luzes e lojas
labirintos distintos em cada rota conhecida
pessoas se etiquetando, se oferecendo por pouco
e assim, também como sempre,
entramos noite adentro
edificando milhares de possibilidades e coisas
que agora se amontoam na fila para o esquecimento…

JEFERSON

Discurso aos novos decadentes

Publicado: 02/01/2012 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

É tarde,
tarde demais pra qualquer coisa?
Embora não haja mais um sentido aprazível
ou algo que nos remonte aos tempos de luta
e, principalmente, resistência
vou permanecendo em pé
enquanto vejo os antigos colegas de combate,
um a um, desistindo
ou caindo como ratos dilacerados
solícitos de formas novas de conveniência
ou de outra nova zona de conforto
onde abriguem cuidadosamente
as glórias, cada vez mais distantes,
de um passado cada vez mais inabitado
atitudes semeadas em terreno infértil
nutridas em ventres de pedra
É possível que a nossa inquietude
e constante insatisfação
esteja diante do fato irrecuperável
de termos que olhar todos os dias no espelho
e termos a nítida comprovação
de que sempre fomos muito melhores do que somos hoje
e muito maiores do que o mundinho
previsível, incompleto e calmo
que escolhemos habitar
e o pior, muito pior,
deixamos quase todo o nosso potencial pra trás
e mesmo que o que sobrou ainda possa destruir o mundo
estamos acomodados de mais para fazê-lo
e como se não bastasse,
estamos nos habituando a conviver com isto…

JEFERSON

Go Home

Publicado: 24/12/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Para Lucas Brother…

Sentado no banco da frente
ao som de Bob Dylan e Johnny Cash
está ele, solitário
voltando pra casa
pra retomar sua vida guardada
enquanto dirige e olha para a estrada
entra por paisagens surreais conhecidas
e velhos desejos aflorados de sempre
a casa a qual volta não é mais um lar,
nada soa tão irreconhecível quanto suas fotos na parede
parentes próximos e parentes distantes,
pessoas ausentes, medalhas esquecidas
muito tempo se passou, tudo está diferente agora
limites aquecidos
um desejo incontrolável de não ir
a trilha sonora, sempre adequada, de um velho filme oitentista
um ou mais drinks
algumas garotas e amigos por quem ficar
um legítimo charuto cubano aceso
e a certeza de que não importa quando, como ou porquê
com um Jack Daniels e uma dezena de histórias em punho
irá voltar
para habitar seu lugar de direito
entre aqueles que agora passarão o tempo
preenchendo os lugares onde você não está
e aguardando a sua triunfante volta…

JEFERSON

Subesmitado, no banco de trás…

Publicado: 05/12/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Apatia circundando tudo
uma chuva incessante de falta de motivos aparentes
correr, correr; mover, surpreender, ir mais rápido
movermos até encontrarmos um sentido
alguém que possa ser reconhecido
se movendo na escuridão
com os olhos negros rodeados de uma face
Nós encurralados pelo o que não acreditamos
aceitamos ou sequer compreendemos
a evolução querendo se desfazer da gente
um punhado de distrações universais,
cobranças batendo à porta
correr, correr, mover, destruir para esquecer
o ponteiro dos segundos nos torturando por horas à fio
nos cobrando uma resposta que não temos
a edificação do ter, ter de ter, ter de querer ter,
todas as pessoas se oferecendo como mercadorias baratas
muita gente querendo comprar
os afazeres atrasados
um pouco de apatia e insatisfação em tudo
Eu no banco de trás, sendo guiado
tentando me enquadrar nos horários e prazos
desintegrando, seguindo os deslocamentos
de um padrão de tempo que nem existe
definitivamente, perdido aqui,
nesta época inóspita, quase insípida
dezenas de séculos antes ou dependendo do ângulo
décadas depois do que deveria ter nascido
e o pior, tendo de encarar todos os dias
o fato que ainda não encontrei uma solução definitiva pra isto…

JEFERSON

Again… and again…

Publicado: 03/12/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Tudo vai acabar
Não adianta ser legal,
conquistar um legado benevolente
edificar um modo de vida satisfatório
ou escolher o melhor enquadramento
Tudo vai ruir
os faróis apontam para noite,
a noite para o escurecer,
dementes
apontando na parede
os símbolos que nos recusamos a ver
minha vida feita uma falta de rima simplória,
imbecil e prepotente
pensamentos sem possibilidade de descrição
subversão como idéias
idéias como vultos, vultos como filamentos
uma sala escura
encolhendo… encolhendo….
apertando mais e mais o que já era apertado
até tudo existente não servir
e o mínimo ser excedente
e termos de começar tudo de novo…

JEFERSON

Possibilidade

Publicado: 28/11/2011 por Luiz Vieira em Poesia, Produção "Teatro do Caos"

Havia pouca luz em meu quarto
Chovia bastante, já era tarde
Eu tinha versos envoltos em trevas
Mesmo assim acordei e fiz um blues para você
Não estava muito sóbrio,
Isso seria importante?
Teus olhos curiosos repousavam sobre estes versos
Eu me preocupava em repousar sobre sua boca
Meu cheiro tua multidão de hormônios acorda,
Olhos morenos interessados em calar-se
Um corpo desiste entre meus braços
Um jogo perigoso e irresistível

Constelações ao acaso espalhadas sob a cama
O espírito envolto em desejos incontidos
O corpo enraizado neste único caminho
As faces coradas pelo óbvio
Possibilidade
é a palavra de libertação
Falta apenas companhia para dizê-la

Luiz Vieira

Pretexto

Publicado: 28/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

explosões
o torpor de sempre
a embriaguez pelas causas extraordinárias
um tiro para cada corpo
e uma “alma” pra cada disparo
a incerteza da sobrevivência
de estar no limite o tempo todo
as palavras da poesia no abrigo do silêncio
nossas convicções caindo uma a uma
entre um olhar e outro que pode definir fatidicamente
o time dos vivos…
e dos mortos…
no escuro ou à meia luz tudo o que se move
é um pretexto barato pra atirar

JEFERSON

Retina

Publicado: 24/11/2011 por Luiz Vieira em Poesia, Produção "Teatro do Caos"
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Queima-me a retina tua imagem transvertida de vida
Perto como imagem de espelho, no entanto intocável
Cheiro quente de um corpo transbordando humanidade
O gosto dessa pele misturado ao amargo do wiskey

Tua língua banhos abundantes de saliva
Suor e versos evaporam-se entre corpos
Delirante, e levemente pervertido, diriam algumas
Incontido num bom dia ao som de uma boa música

É dela que vem o desejo do coito
Seus olhos, o espaço da impossibilidade social
O caminho da noite fria, para o que é mais provável

Luiz Vieira

600 poesias e nem sei se estou melhor com isto

Publicado: 22/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Palavra a palavra reconstruo
e, na maioria das vezes, destruo o mundo
todos os dias
na intensidade da falta espontânea de um gesto
trafegando sem um motivo aparente
buscando trechos inacabados
das fragilidades dos poetas esquecidos
abrigados por um eu desolado
e não há nada que me tire da condição
de me deparar comigo mesmo
num corredor sujo e inóspito
todo fim de noite
me indagando sobre as mesmas questões não resolvidas

…Viver parece ser, de alguma forma, habitar algo que não habito…

JEFERSON

Por trás do olhos serenos

Publicado: 17/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

O que está por trás do olhar é o olho,
por trás dos olhos
a história

Jamais se conheceu olhos tão sinceros
que não tivessem,
ao menos uma vez,
hesitado e tentado se fecharem diante da verdade…

JEFERSON

Possibilidades

Publicado: 17/11/2011 por Luiz Vieira em Poesias
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Hoje encontrei aquele velho amigo bêbado de novo
Nada de novidade, perdido, incontestavelmente : vivo
Dizia-me como não queria a passividade das maças verdes
Logo percebi seu anseio ambíguo pelo inatingível

Disse-me sobre as impossibilidades próprias da vida
Enquanto, eu insosso cantava meu copo de vinho
Revelava-me, o que é novo na vida – POSSIBILIDADES.
As coisas não estão presas nas suas mínimas necessidades

Melhor que minha alma errante ele determinava caminhos
Não os mesmos, mas os diferentes  - as cortinas fechadas
As impossibilidades que os reis escondiam

Luiz Vieira

Despedaço versos incontidos na escuridão da noite
Ela dorme envolta na dureza das pedras
Ela não sabe nada sobre a vida, eu também perco muito tempo
Incompreensões existências e seus objetos incontestáveis

A penumbra cobre-me como os versos de Pessoa
Eu me deleito nas noites calmas de um copo de wiskey
Tudo é inconsistente pra quem se mira para além dos limites
Adormecem dinossauros em seus campos lamacentos

E nós os grandes pensamos em nossas mulheres
E seus corpos doces espalhados numa cama apertada
Permitimo-nos querer o incontestável e nos rendemos
Aos brilhos ardentes destes olhos misteriosos

Onde está a sanidade de um bêbado?
E sua formação clássica, e seu conhecimento filosófico?
Perdido. Como era de se imaginar para um bom conhecedor
Nas pernas rolicas de uma desconhecida

Luiz Vieira

Todos os controladores e donos da voz se calaram
tudo conseguido sob trapaças perdeu-se
vocês se acharam bons suficientes para trair e expropriar
acharam que venceriam
mas somente dois de nós se acomodaram e se perderam
o resto sobreviveu
vocês, agora, como o lixo que sempre foram
mendigam a energia dos convenientes
e tentam tornar menos impróprio
o ar fétido dos corpos putrefatos
que vocês mesmos mataram à punhaladas
nas costas…

Ainda em estado de pseudo-percepção
vocês agora estão percebendo o quanto já se decompuseram
e o tanto de lama podre
que usaram na construção de seus frágeis e inúteis abrigos
mendigando uma energia nova a drenar
ou um outro empreendimento sórdido ao qual se envolverem
agonizando desesperados pedindo ajuda e clemência
enquanto eu, pacientemente, lustro os meus sapatos
esperando a hora de pisar em cima de seus cadáveres
antes de lhes trazer de volta à vida, brevemente,
só pra lhes devolver o que merecem,
centavo a centavo,
da forma mais cruel possível…

Meus sapatos estão quase preparados
a hora do revés está chegando…

JEFERSON

De volta pra casa

Publicado: 13/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Quando vi o sol se pondo
acima das nuvens
tudo fez sentido
eu não nasci para viver só com os pés no chão

JEFERSON

Sem ressentimento

Publicado: 12/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

…e a Terra se desprendeu do Sol…
os dias passavam à seu tempo, ao nosso tempo
vivíamos por conta própria
e ninguém era mais refém de nada…

JEFERSON

Ponto e vírgula

Publicado: 04/11/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

As moradas estão distantes
e os dias não são mais infinitos
estamos longe, habitamos mundos longínquos
contiguidade não basta
o tempo voa livre
faltam quinze minutos pra qualquer hora
e nem posso dizer que me importo
passos os dias inventando coisas já existentes
e refazendo o marasmo da mediocridade
o mundo acaba todo fim de semana
viver parece ser elencar as frases
na crença de se criar alguma história
mas vivemos decididos a alongar as sentenças
vamos colocando ponto e vírgula
tudo vai se encompridando,
enchemos os copos com novas bebidas
e nunca chegarmos à um ponto final…

JEFERSON

A órbita do Caos

Publicado: 31/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Os carros
as casas
as cores
tudo girando em uma desordenada precisão
não sei como ou porquê acontece,
também não quero saber…

Na maioria das vezes
as respostas estragam as perguntas…

JEFERSON

Horizonte imperfeito

Publicado: 30/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Os dias se refazendo
os olhos curiosos de tudo
a ascendência no resistir insolente
criando novos sonhos
e nutrindo velhas esperanças
esta noite, este momento
glórias celebradas, milhares de imagens na cabeça
a nostalgia tão pertinente aos momentos de saudade
uma rotina prestes a ser revirada
dezenas de luzes sinuosas
num horizonte impreciso e imperfeito
e, bom,
você não sabe,
mas mesmo sendo tão imperfeito
vou sacudir tudo novamente…

JEFERSON

O sentido do significado ou o significado do sentido

Publicado: 29/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Eu morri
foi na Contorno com a Nossa Senhora do Carmo
eu fui atropelado
como não sabia que tinha morrido
continuei subindo a avenida tentando pegar um táxi
continuei tentando viver a minha vida…
Parece extraordinária minha sutil ignorância,
mas alguém me falou que isto acontece sempre
que morremos várias vezes durante a vida
era simples, elementar,
parecia um comentário sensato,
mas não liguei,
nunca me afeiçôo à coisas tolas
e dia após dia continuo indo em frente
na ilusão constrangedora
de que posso encontrar um devir esclarecedor
um sentido natural nisto tudo
ou que possa me deparar
e aceitar o fato irrecuperável
de que faz tempo que Eu não estou mais vivo…

JEFERSON

Ainda

Publicado: 20/10/2011 por rodoxcaos em Poesia

Ainda que percorrendo caminhos sinuosos
Ainda que caminhando sobre brasas
Ainda que mergulhado em um vale assombroso
Ainda que…
Ainda que sem sentido algum
Ainda…
… que…

Rodolfo Morais

Ciranda

Publicado: 20/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Um homem se despede e jura voltar
outro vem para se justificar
um homem atira em culpados
um outro vem cuidar das feridas
um homem cria as regras
um homem as destrói
um homem derruba tudo
outro constrói

Um homem fica sem dormir
outro carrega as marcas de todas as feridas do mundo
um homem segue sem razão
um homem une palavras vazias à sentimentos descompassados
um homem se perde todas as noites
outro nutre compromissos arraigados

Um altera a mecânica quântica incerta da alma
outro vem para se justificar
um homem escolhe em nome de quê lutaremos
outro vem pra se recusar a lutar
um homem rebobina as fitas cassetes
um homem conta seus passos inacabados
um homem vem pra nos desenganar

É sempre um dia após o outro
é sempre essa a mecânica da dança
um homem corrupto renuncia ao seu cargo
um outro sórdido toma seu lugar
um homem tenta reencontrar seu fado perdido
outro vem pra se justificar…

JEFERSON

Uni(versos)

Publicado: 19/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

…Todas essas cadeias de estrofes quase sem sentido
te mantém por perto
mas nunca serão suficientes pra te trazer de volta
já que o tempo passa e é cada vez mais contundente
o fato de que você nunca esteve aqui…

JEFERSON

Destino imbróglio

Publicado: 18/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Procurando um argumento ideal
uma rua ou uma lembrança falsa
onde nos encontramos em um momento tardio
Já que não há nada além disso
percorremos todos esses dias por nada
todos os passos cuidadosamente contados
os sapatos gastos, os delírios empoeirados
encurralados pelo destino que construímos
e a maratona de problemas cujo o fim nunca chega
Você, distante, avança como se não conhecesse as regras
e eu, tão submerso em tudo
circundado pelo mundo que criei
e agora não consigo mais destruir…

JEFERSON

Qualquer coisa acima

Publicado: 16/10/2011 por JEFERSON FERREIRA em Poesia

Pra cima e pra baixo
conforme determina uma quase distração da sensata gravidade
Nós nos entregando por pouco
aceitando todas as taxas cobradas pelo tempo
e por esta cidade prosaica
Nunca vimos um fim pra tudo isso
essa coisa louca de ser isto ou aquilo o tempo todo
percorrendo caminhos inteiros de destinos incompletos
e elegendo desafios extraordinários intransponíveis
Mas tudo bem,
tudo sempre volta ao “normal”
temos sempre as mesmas respostas,
as mesmas desculpas reunidas
é sempre um dilúvio de questões mal resolvidas
enquanto eu continuo à deriva
e sendo, mesmo assim,
muito melhor do que a maioria de vocês fingem acreditar…

JEFRSON